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Matéria publicada em: 18/03/2019

Qualquer um mexe num Fusca?

Considerado um carro de mecânica simples, o Fusca conquistou os brasileiros por ser “pau para toda obra”. Ele apresenta, porém, aspectos técnicos complicados.

Foto: Imprensa CNT

O jornalista Portuga Tavares é apaixonado por carros e coautor do “Almanaque do Fusca”. No aniversário de 60 anos da versão brasileira do VolksWagen besouro, conversamos com o jornalista e perguntamos a ele se é verdade aquela história de “qualquer um mexe num Fusca”. Ele respondeu assim: “Já foi mais verdade. Até o final dos anos 1990, isso poderia ser uma máxima, mas os mecânicos de hoje deixaram de ser consertadores para se tornarem trocadores de peças — isso não é demérito, é evolução. Hoje, por exemplo, você tem injeção eletrônica, que não permite os ajustes que eram feitos. Quando dá problema, tem que trocar. Então, se quiser dar manutenção num Fusca, você terá de procurar um mecânico especialista em Volks”.

Tavares recorda que, em sua infância, “carro novo” não era sinônimo de “carro zero”. “O carro era novo para aquela família, mas tinha dez anos de uso”. Nesse contexto, o Fusca era uma opção confiável. “Meu pai tinha, meus vizinhos tinham. Havia em quantidade no mercado e tinha fama de ser inquebrável. Então, não era paixão pelo carro, era necessidade”, resume. “É claro que, depois de décadas na família, ele acabava virando um objeto de xodó, para sair nos fins de semana, nos feriados”, emenda.

De fato, o projeto do Fusca era robusto e inovador em seu tempo. Os engenheiros queriam um carro que rodasse sem água para aguentar as condições extremas do inverno alemão, sem risco de congelamento. Esse trunfo, porém, não funciona no trânsito engarrafado das metrópoles atuais. Tavares explica: “O fato de não ter radiador, de usar o vento para esfriar o motor, tinha a vantagem de não dar problema em peças de arrefecimento. Por outro lado, implicava menos torque e desperdício de energia. A dispersão grande de calor no bloco do motor acabava fadigando as peças periféricas”, aponta.

“Hoje, se você pegar um trânsito de três, quatro horas em um Fusca, vai ficar na mão”, sentencia. “Se a bobina esquentar, vai parar de funcionar. Outro possível problema é o carburador, porque nossa gasolina, por mais confiável que seja, tem muito álcool na composição. Resultado: quando o combustível borbulha, o fluxo é interrompido, e o carro fica ‘quadrado’”, explica o jornalista. Por fim, carros extremamente originais terão dínamo para carregar a bateria, em vez de alternador. Isso é um empecilho, pois o funcionamento do dínamo está atrelado à alta rotação. “Sim, no Fusca, corre-se o risco de ficar sem energia elétrica”, confirma o especialista.

VOCÊ SABIA?

O Fusca Itamar

A safra fabricada entre 1993 e 1996, incentivada pelo então presidente da República Itamar Franco, diferenciava-se das anteriores por oferecer ignição eletrônica, retrovisor do lado direito, escapamento com saída única, para-brisa laminado, catalisador, pneus radiais, cintos de segurança de três pontos e bancos com encosto de cabeça.


Gustavo T. Falleiros
Agência CNT de Notícias


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