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Matéria publicada em: 18/03/2019

A popularidade do Sr. Fusca

Há 60 anos, a fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) iniciava a produção da versão brasileira do besouro, um marco automobilístico e afetivo

Foto: Imprensa CNT

Tudo o que você ouviu falar sobre o Fusca, provavelmente, é verdade. Sim, ele surgiu de uma encomenda de Adolf Hitler, que queria um “carro do povo” para os alemães. Ele foi vendido em mais de 150 países. Dizem que foram fabricados 22 milhões de exemplares. Foi apelidado de Beetle, Bug, Escarabajo e Carocha. No Brasil, o nome oficial era Sedan, mas todo mundo só o conhecia por Fusca mesmo.

Para a glória da nação, dois presidentes brasileiros desfilaram em Fuscas conversíveis (JK e Itamar Franco). Na Califórnia (EUA), um homem conseguiu rodar 2,5 milhões de quilômetros em seu modelo 1963 (Albert Klein era o nome dele). No Guinness Book, consta que 20 universitários americanos se apinharam num fusquinha (vídeos no YouTube confirmam isso). Só faltava falar e voar.

As histórias são fascinantes, mas desejamos apenas relembrar a encarnação brazuca desse ícone do século 20, surgida em 3 de janeiro de 1959. Havia Fuscas alemães circulando no país desde 1950, mas eram caros e não competiam com os extravagantes rabos de peixe made in USA. Sabe-se que a primeiríssima leva desses veículos (30 unidades) chegou de navio, via Porto de Santos.

Em 1953, a Volks abriu a sucursal em Ipiranga, São Paulo, onde os Fuscas passaram a ser montados, mas sem contribuição alguma da indústria nacional. O ponto de virada foi o acordo entre a Brasmotor (representante da Chrysler no Brasil) e a Volks, que autorizou a produção em escala na fábrica de São Bernardo do Campo.

Deu certo. Em pouco tempo, o Fusca se tornou “o membro da família que mora na garagem”, como se dizia. O sucesso tem a ver com a circunstância do país, sacudido pela política modernizadora de Juscelino Kubitschek (1956-1961), e com as qualidades inegáveis do produto. “O brasileiro, quando foi pensar em ter automóvel, queria uma ferramenta. Algo que fosse ‘pau para toda obra’, que servisse para viajar, para carregar a cadeirinha do bebê, para ir à praia”, analisa o jornalista Portuga Tavares, especialista em setor automotivo e um dos autores do Almanaque do Fusca. “O Fusca era uma boa ferramenta, pois, além de ser um dos mais baratos do mercado, atendia à família, quebrava pouco e exigia pouca manutenção. Era o simplesinho que satisfazia”.

Embora a identidade visual tenha se conservado, a evolução do Fusca no Brasil foi notável. A cada geração, melhorias foram incorporadas até o veículo ser descontinuado, em 1986 — modelo hoje cobiçado no mercado de usados por apresentar um acabamento diferenciado. Num lance controverso, o carro foi relançado em 1993, com um investimento de US$ 30 milhões, que gerou 800 novos empregos diretos e 24 mil indiretos. Em 1996, a produção se encerrou em definitivo. A derradeira safra acrescentou 46 mil Fusquinhas aos cerca de 3 milhões produzidos desde os primórdios da Volks em solo brasileiro. Muitos ainda circulam, principalmente no interior do país, fazendo com que a lenda do besourinho continue viva e pulsante.

Um carrinho em grandes traços

- O motor era traseiro e refrigerado a ar. O porta-malas era dianteiro e vinha equipado com estepe.

- O primeiro motor era um 1200, com 36 cv a 3.700 rpm; 7,7 mkgf a 2.000 rpm. Isso até 1967. Depois, veio o modelo 1300, 46 cv. Em 1970, foi a vez do Fuscão 1500, 52 cv. Finalmente, houve o Bizorrão, 1600S, 65 cv, lançado em 1974, encerrando a escalada de capacidade.

- Consumo médio: 10 km/l de gasolina na cidade.

- Até 1960, o pisca-pisca era tipo “bananinha”. Tratava-se de uma haste luminosa retrátil, instalada na coluna do veículo.

- Nos modelos antigos, a água para limpar o para-brisa era esguichada com a ajuda de uma garrafinha de plástico “acionada” manualmente.

- A direção era leve para os padrões da época. O câmbio tinha engates justos.

- Velocidade máxima entre 118 km/h e 112 km/h, a depender do modelo. Houve, é claro, versões adaptadas para corrida, muito mais velozes.

- Aceleração de zero a 100 km/h em 39,4 segundos no modelo 1960.

- Dimensões do Fusca produzido em 1960: 407 cm de comprimento; 154 cm de largura; 150 cm de altura. O carro pesava 730 kg.


Gustavo T. Falleiros
Agência CNT de Notícias


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