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Presidente Eduardo F.Rebuzzi

O APLAUSO AO CAMINHÃO

Jamais aceitamos essa pecha, mas a verdade é que o caminhão, principal ferramenta do trabalho realizado pelas empresas e autônomos que atuam no Transporte Rodoviário de Cargas – TRC, é visto por grande parcela da sociedade e das próprias autoridades públicas como um obstáculo que impede a circulação das pessoas nas vias urbanas, retarda as viagens, provoca acidentes nas rodovias e polui o meio ambiente, entre tantas outras mazelas.

Essa visão distorcida acaba elegendo o caminhão como um mal a ser combatido e eliminado, para o bem estar geral da nação.

Para uma pessoa alheia ao dia a dia das nossas empresas e dos motoristas autônomos, estas palavras podem parecer um desabafo exagerado de alguém que se toma por vítima e envereda o caminho do drama. Mas quem opta por esta profissão, investe no TRC e atua na representação desta atividade econômica sabe das dificuldades e até injustiças que lhe são impostas, às vezes de forma arbitrária e sem qualquer diálogo ou entendimento prévio.

E haja criatividade e jogo de cintura para fazer este trabalho, transportar as mercadorias desde a matéria-prima até o mais elaborado dos produtos a ser consumido pelo cidadão.

Neste último final de semana, em vista da grande tragédia que se abateu sobre a Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, com as chuvas devastando cidades dos municípios de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, entre outros, o TRC-RJ, liderado por suas entidades, a FETRANSCARGA, o SINDICARGA e a COMJOVEM RJ/NACIONAL, mostrou a pujança e o comprometimento dos empresários e profissionais do setor, que, desde o primeiro momento, se uniram e abraçaram algumas instituições como a Cruz Vermelha, a Defesa Civil e associações civis, em auxílio às pessoas vitimadas.

Alguns empresários e profissionais dedicaram-se pessoalmente às operações, à coordenação e ao próprio carregamento nos caminhões, das doações feitas pela sociedade, como colchões, roupas, alimentos, medicamentos, água, produtos de limpeza e higiene etc.

Apesar da tristeza pelo que aconteceu com tantas famílias, que perderam seus entes e casas, foi emocionante viver em meio a tanta disposição e envolvimento de pessoas de todos os níveis sociais, unidas apenas pelo sentimento de solidariedade e pela vontade de fazer o bem a alguém.

O final daquela primeira etapa do trabalho individual de cada um que chegava àquela unidade da Cruz Vermelha trazendo algo para ser entregue aos necessitados, depois do manuseio, separação e embalagem dos itens de acordo com seu tipo, era o baú ou a carroceria do caminhão sendo carregados rapidamente por dezenas de mãos em movimento sincronizado numa única direção.

E, cada vez que um baú era fechado ou uma lona era amarrada e o motor era ligado, viam-se confirmadas, mediante a reação das pessoas, as assertivas tantas vezes repetidas, ao longo de nossa representação setorial, em defesa e sobre a importância estratégica do caminhão.

Engrenada a marcha e acelerado o veículo em direção ao portão de saída, o motorista passava pelo corredor de voluntários com um leve sorriso de agradecimento aos aplausos que, surpreso, ouvia em homenagem ao seu caminhão.

Eduardo F. Rebuzzi é presidente da FETRANSCARGA.

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